(sim, somos nós, esta foto foi tirada na comemoração do nosso casamento)
Quando nos perguntam onde nos conhecemos, imediatamente respondemos que foi em Portugal, e não fornecemos muitos detalhes. Isso não é totalmente mentira, já que o nosso primeiro contato real foi em Lisboa, mas dizer que nunca havíamos conversado antes e que eu não estava lá ansiosamente aguardando pela chegada dele, seria mentir. Sim, isso mesmo, conhecemo-nos no mundo virtual. Se eu fazia alguma ideia que um dia nos encontraríamos fora dele? Não! No início, era uma amizade virtual muito divertida, conseguíamos conversar o dia inteiro. Depois de nos conhecermos razoavelmente bem apenas na escrita, eu comecei a gostar muito dele e resolvi um dia - atenção que a minha ideia foi altamente apoiada por minha mãe - ligar para ele (é, fazer uma chamada para o Brasil). Como devem imaginar, resultou numa conta de telefone bem alta, então decidimos começar a conversar no Skype. No início, chamada de voz, depois de vídeo. Em breve, lá estava eu a perder horas de sono por conta da diferença de fuso horário, só para poder fazer vídeo-chamada com ele.
Um dia, ele disse que iria viajar para a Europa e queria se encontrar comigo. Os planos dele envolviam outro país, mas - what the hell! - que mal faria passar pelo meu país? É claro que eu contei essa ideia à minha mãe, que concordou em ir comigo ao aeroporto esperá-lo e ainda o deixou ficar em nossa casa (a minha mãe tem uma intuição excelente para pessoas, e se ela confiou nele, eu confiava também). As nossas férias foram um sucesso! Passeamos imenso, divertimo-nos muito, e, claro, já como namorados. Ele abandonou os planos do outro país e ficou comigo até voltar para casa. Perto do fim das férias, não pude acreditar quando recebo um pedido de casamento! O plano era casarmos e eu ir morar com ele quando terminasse a escola. Eu hesitei, mas por muito pouco tempo, pois, como já disse, já o amava e acredito que vale a pena lutar por amor. Entretanto, ele foi embora e eu fiquei com medo que desistisse, pois seria um ano inteiro de contato virtual de novo. Conforme o tempo foi passando, os nossos planos tornavam-se mais concretos, principalmente depois de eu dizer à minha mãe a loucura que pretendia fazer. É claro, uma mãe tem limites também, e ela não achou nada boa ideia - tentou arranjar um milhão de razões para eu não fazer isso, apelou a tudo, mas eu, por algum motivo, não me conseguia convencer a desistir do amor. Existiu algo que me tornou forte e resistente e independente, provavelmente esse amor, e eu disse que iria levar os nossos planos para a frente, tendo ou não o apoio da família. Que remédio senão aceitar... Mas ela fez mais do que isso, foi realmente uma mãe maravilhosa e apoiou-me em tudo, ajudou muito na preparação do casamento, desde a busca pelos documentos até a modesta cerimónia propriamente dita. Acho que também foi o amor que a fez mudar de ideias - o amor de mãe para filha, que hoje eu entendo por experiência própria.
Essa história dos documentos dá pano para mangas, e vou tentar resumir ao máximo, pois daria para escrever um post só com isso. Enfim, resumindo, casar com um estrangeiro é extremamente burocrático e um caminho cheio de obstáculos. Desde correr para consulados (eu lá e ele aqui) até pedir a amigos que assinassem documentos que eramos obrigados a entregar; até mesmo a ouvir comentários como "vai casar com ele? mas você já o viu?" (não, senhor do registo civil, não tenho o hábito de casar com quem não conheço). E ainda fomos entrevistados pelo SEF, individualmente, onde tive de dizer o nome dos irmãos todos dele e um monte de informações que eu estava perfeitamente à vontade para falar (conselho para quem vai passar por isso: estejam preparados, pois eles sabem tudooo da nossa vida, cada lugar por onde passamos). Isto tudo fez com que tivéssemos que casar meio à pressa, pois já tinhamos viagem marcada e para breve. Foi tudo muito simples, muito modesto, mas lindo, num hotel em frente à praia. Nós somos muito discretos e apreciamos muito a simplicidade do nosso casamento.
Dia 2 de setembro de 2014, aqui estava eu, do outro lado do Atlântico. Logo amei São Paulo! Não queria sair de lá, mesmo. Mas também não demorei muito a gostar da vida aqui, da universidade, de tanta coisa. Gosto mais daqui do que alguma vez imaginei. Mas principalmente amo a pessoa por quem estou aqui, e valeu a pena cada segundo de ansiedade, as noites de sono perdidas, tudo. E o mais lindo foi que, quando voltei para visitar a minha família, já não eramos só dois, e sim três, pois eu já carregava a Emma na minha barriga.
Foi assim que, nas circunstâncias mais improváveis, encontrei o amor da minha vida e formei uma família. Não, nem tudo é perfeito, temos os nossos momentos de desentendimento, mas ultrapassamos e damos espaço um ao outro quando necessário. Eu sei, tenho uma certeza muito grande dentro de mim, que tudo era para acontecer assim, que estava destinado, e por isso mesmo desejo que continue assim: nem sempre perfeito, mas sempre com amor.
3 anos... e o desejo de uma eternidade ❤






