Caso já acompanhem o meu blog, devem saber que dei aulas de inglês (e continuarei, brevemente). Dei aulas durante cerca de um ano e meio, e fiz uma pausa por causa da gravidez. Parece pouco tempo, mas ganhei alguma experiência. Tenho bastante conhecimento da língua inglesa, obtive uma pontuação de 940 no TOEIC (Test of English for International Communication) e, além das aulas, também já tenho experiência com traduções. As traduções começaram antes das aulas: traduzi livros técnicos para empresas, fiz traduções de trabalhos acadêmicos sobre medicina, escrevi um "abstract" para um artigo, entre outros. Claro, tudo isto em "freelance". E, por ser freelancer, os preços que pratico são bem em conta. Todos os clientes ficaram satisfeitos com o meu trabalho, o que foi abrindo portas para outros pedidos (não muitos, mas alguns). Bom, tudo isto para dizer que, caso precisem de algum documento traduzido, seja de português para inglês ou vice-versa, eu encontro-me disponível. Dependendo do tema e número de páginas/palavras, estabeleço um preço e combino um prazo. É a primeira vez que divulgo o meu trabalho como tradutora, então sou bem acessível no que toca a valores, por isso não hesitem em contactar-me se tiverem necessidade de traduzir algum documento/trabalho académico/artigo/(...) de inglês para português ou de português para inglês. Encontrarão o meu e-mail na secção "About Me" do blog.
Na semana passada, foi Dia da Mãe em Portugal. Hoje, foi Dia das Mães aqui no Brasil. No ano passado, nesse dia, estava com cerca de 4 meses de gestação. De certa forma, era mãe, mas ainda não sabia o que era ser mãe "na prática". Então, hoje é oficialmente o meu primeiro dia das mães enquanto mãe.
Ser mãe é único! Não existe forma de explicar com exatidão, apenas a experiência própria poderá mostrar a sensação. Eu, e acredito que todas as mães também, vivi altos e baixos ao longo desta (ainda não muito longa) experiência. Um ser indefeso entrou na minha vida dependendo totalmente de mim, que não tinha qualquer experiência em cuidar de um bebé, do meu bebé, a tempo inteiro. E aí acontece a magia: não temos um manual de instruções, mas temos muitas respostas dentro de nós. Pode parecer inacreditável para quem vê de fora, mas mãe possui um instinto forte. Ela pode escolher pesquisar muito sobre o assunto, claro, algo que eu fiz muito durante a gravidez, mas a teoria apenas dá uma base para a prática - é o instinto maternal que desempenha um papel extremamente importante nos cuidados do bebé. Com isto não quero dizer que todas as mães sabem tudo e não precisam de aconselhamento - nada disso! O que quero dizer é que existem diversas opiniões controversas sobre certos assuntos relacionados ao bebé (por exemplo, quando iniciar a introdução alimentar), mas que cada mãe tem um instinto que lhe permite fazer a melhor escolha para o seu filho.
Ser mãe é maravilhoso, porém complicado. É uma felicidade imensa e um cansaço terrível. É acordar 5 vezes por noite e esquecer-se disso ao ver o sorriso mais lindo. É uma constante contradição de sentimentos, mas um amor que nunca acaba. Por isso mesmo, quero desejar a todas as mamãs um feliz dia das mães, e um feliz dia todos os dias, porque todos os dias elas são mães.
É provável que, quando pensam em música brasileira, vos venha à cabeça aquelas que mais adquiriram fama no exterior; digamos que essas nem sempre são as de melhor qualidade. E é por isso mesmo que eu sempre disse não ser fã de música brasileira... Mas isso até conhecer algumas que ainda hoje adoro (obviamente que nunca gostarei de sertanejo ou funk)! Foi depois de me mudar para este país maravilhoso que aprendi um pouco mais sobre o que ele tem de melhor, e estas músicas foram as que mais gostei:
Los Hermanos - Anna Júlia
"Oh Anna Juliaaaaa"... É bem provável que já a tenham ouvido, afinal tem a sua fama. Eu já a conhecia, porém nunca tinha parado para escutar de verdade, apenas "de relance". Se não conhecem, vale a pena ouvir.
Frejat - Segredos
Esta tem um valor sentimental muito grande. Digamos que foi uma declaração de amor (I may or may not have listened to this song on repeat for several days in a row). Enfim, é linda e muito especial para mim.
Titãs - Epitáfio
Qual o brasileiro que não conhece Titãs? Banda excelente, com muitas mais músicas que valem a pena ser ouvidas.
Engenheiros do Hawaii - Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones
Este título parece enorme - é enorme! - e faz referência à guerra do Vietname e aos Beatles e aos Stones... Como assim?? Que música doida, vocês devem pensar. De certa forma é estranha, mas algo nela me cativou.
Scalene - Danse Macabre
Esta é muito diferente, conheci-a por acaso no Spotify, ao contrário das outras, que me foram apresentadas por brasileiros. Não sei nem classificá-la quanto a género, é bem diferente, ouçam e tirem as próprias conclusões.
Não inclui links nem vídeos, apenas imagens que retirei de outras fontes. Pesquisem se tiverem interesse, pois são músicas muito boas. Confesso que até senti um aperto no coração porque algumas me trazem memórias, não muito antigas, mas que significam muito para mim. Ouçam e deliciem-se!
"So apropos:
Saw death on a sunny snow
For every life
Forgoe the parable
Seek the light
My knees are cold
(Running home, running home
Running home, running home)
Go find another lover
To bring a... to string along
With all your lies,
You're still very lovable
I toured the light; so many foreign roads
For Emma, forever ago"
Esta música, cantada por Bon Iver, transmite-me uma espécie de nostalgia, remete-me a um passado, talvez não tão distante quanto o "forever ago" possa dar a parecer. A última parte, que sublinhei, diz-me muito, pois a minha Emma é uma viajante "precoce" e, como tal, já passou por algumas foreign roads - é claro que o sentido da letra é outro, apenas lhe atribuí um significado pessoal, o meu significado. Amo esta música porque tem o nome da minha filha, porque é tão inocente, pelo uso de "apropos" (a propósito/by the way), por ser linda! Esta e a "Flume" (que tocou num episódio de "Dr. House") são as minhas favoritas de Bon Iver. Quis partilhá-la aqui por todos estes motivos.
Devem estar a pensar: "oh não, mais um post sobre essa série...", e com razão, afinal é a série "do momento" e quase toda a gente assistiu, logo quase toda a gente tem algo a dizer sobre ela. Mas este vem com um tom um pouco pessoal, e é escrito por mim, que li o livro há dois anos atrás e, como tal, já conheço a história há muito tempo. Vê-la ser adaptada para uma série deixou-me numa curiosidade enorme. Queria tê-la visto em menos tempo, porém o tempo é escasso, então demorei cerca de uma semana para terminar.
(Atenção, tem spoilers!!)
Há dois anos atrás, ao ler o livro escrito por Jay Asher, não consegui evitar identificar-me com ele em diversos pontos. Não quero com isto dizer que estive a ponto de cometer alguma loucura estilo Hannah Baker, mas sofri muito do que ela sofreu. E as palavras, os atos, os gestos, a passividade, tudo isso dói. Hannah foi sofrendo cada vez mais, foi o efeito bola de neve que a levou a fazer o que fez. Há quem possa não compreender por que motivo terminar uma amizade ou fazer uma lista idiota pode levar outra pessoa ao suicídio, mas o que se deve enfatizar aqui é esse efeito bola de neve - como Hannah diz na série: "it's one thing on top of another".
Uma pessoa que eu penso que não deveria estar nas cassetes é o Zach Dempsey. Essa personagem é das minhas favoritas, pois sinto que ele estava genuinamente interessado em estar com Hannah e foi super compreensivo quando Marcus foi um idiota. Digamos que ela não foi muito agradável com Zach, e ele de certa forma reagiu da mesma forma que Hannah ao gravar as cassetes: quis vingar-se por estar magoado.
Sheri é uma personagem que acredito ter agido por impulso e medo. Apesar de o que ela fez ser grave, arrependeu-se e decidiu ajudar a família que sofreu as consequências do erro dela.
Por outro lado, Bryce parece ter sido o causador de quase todos os problemas de Hannah, direta ou indiretamente. Tudo o que ele faz parece ter sempre alguma intenção maldosa por trás.
Acho que Clay deveria ser a pessoa que mais transmite diferentes emoções no decorrer da história, e por isso o ator ficou aquém das minhas expectativas... Esperava que a expressão facial fosse menos monótona.
No geral, a série parece-me ótima, sem "frescura", mostra tudo bem explicitamente, e conscientiza para um problema que é mais frequente do que deveria. Eu identifiquei-me porque já fui a Hannah, já tive que passar por quase tudo o que ela passou. Já fui a boa amiga que fazia tudo o que podia pela outra pessoa, só para depois ser trocada por um grupo de raparigas que não se importavam realmente com ela. Já fui a menina cujo nome esteve nas listas feitas por adolescentes sem noção. Já fui invisível e também já fui visível apenas quando era alvo de chacota. Enfim, assim como Hannah tenta recorrer a Mr. Porter, também eu tentei recorrer a outros "Mr. Porters" com quem me deparei, mas nenhum deles realmente fez diferença. Mesmo com os acontecimentos que se davam perante os olhos dessas pessoas, ninguém se importava o suficiente.
Quando eu própria já começava a não ter o discernimento de saber o que era bom ou não para mim, apareceu a minha razão para eu ter ultrapassado essa fase. Hoje, estou aqui e estou bem. Hoje sei que tomar medidas drásticas não é a solução, que devemos sempre tornar os obstáculos com que nos deparamos em escadas para subir na vida, em lições de vida. Estou num país que não é meu, mas onde me sinto em casa. Na universidade, fazem brincadeiras sobre o meu sotaque, a minha origem, a minha nacionalidade... Mas há uma diferença: nunca falta o respeito! Todos sabem até onde podem ir, e eu sei que também posso alinhar na brincadeira, sem que ninguém se sinta mal, pois não existe maldade ou desrespeito - existem brincadeiras saudáveis e, acreditem, é muito fácil perceber a diferença, porque isso sente-se. Não quer dizer que todos sejam meus amigos, mas posso conversar com todos sabendo que não vai ser o começo de uma bola de neve. Se for, não me incomodo mais em perder o meu tempo com essa pessoa.
Se eu já fui uma das razões? Posso ter sido, mas nunca de propósito. Por ter sofrido, não desejo o mesmo a ninguém.
Já vi opiniões que criticam o fato de a série ser tão explícita a ponto de mostrar tão detalhadamente o suicídio e outras cenas chocantes. Essas opiniões baseiam-se na influência que isso possa ter em quem já tem esse tipo de pensamento. Eu discordo, pois acredito que suavizar também não vai ajudar, e o fato de ser explícito é feito para chocar, para que a pessoa reflita e pense: "será que eu quero mesmo acabar assim?". Sim, poderiam ter sido exploradas formas alternativas de lidar com o que Hannah passou (poderiam fazê-lo em uma segunda temporada), e isso é um ponto fraco, mas de resto parece-me uma boa série.
Ah, vamos falar da banda sonora, shall we? Que maravilha quando ouço "Joy Division" no carro do Tony! Pensei logo: "se o resto da banda sonora for deste género, vai ser fantástico!". E acho que o meu desejo se concretizou. The Cure! Chromatics! Echo and the Bunnymen! Que delícia... Vou fazer uma playlist "13 RW" com todas essas músicas.
Tenho noção de que revelei bastante sobre mim, mas precisava ser autêntica para explicar o porquê de tanto me identificar com a série/livro. Espero que assistam esta série, pois vale a pena. Mesmo que não se identifiquem, será um exercício de se colocar no lugar de outras pessoas.
Para mim, depois de a Emma completar 3 meses e entrar no quarto mês de vida, tudo se tornou mais fácil. A fase dos 3 meses foi maravilhosa! Agora, completou 5 meses, e continua a ser uma menina que não dá muito trabalho. No entanto, várias coisas mudaram em 2 meses, é incrível como ela me tem surpreendido com as suas conquistas e aprendizagem.
O que aconteceu nestes meses:
- Começou a creche: Eu tinha mencionado que ela ia começar a creche com 4 meses, e assim foi. Os primeiros dias foram complicados para mim, mas ela pareceu adaptar-se muito bem, e as meninas que cuidam dela só a elogiam, afirmando que ela é uma bebé muito tranquila (a mamã fica toda babada). Agora que já se passou um mês, eu própria já me habituei a ficar umas horinhas longe dela, embora morra de saudades e a encha de beijinhos quando chega a casa. Quando estou nas aulas, tenho a conveniência de poder comunicar por whatsapp com a menina que cuida dela, já que não são muitos bebés, pois é um lugar pequeno, mas muito bem falado e super recomendado por todos os pais que deixam lá os seus filhos (só a deixo lá por causa disso). Ela envia-me fotos da Emma e responde-me sempre, o que me deixa muito mais tranquilizada.
- Começou a tomar complemento de leite em fórmula: Sim, eu ainda a amamento, mas senti que ela ficava com fome depois de mamar, principalmente à noite antes de dormir. Ela chorava bastante todos os dias, mesmo se mamasse por meia hora. Além disso, estava a ganhar muito pouco peso. Decidi experimentar o leite adaptado só para complementar, e ela bebeu tão bem e ficou tão mais calma, que agora eu dou sempre que ela parece ter ficado com fome. À noite, antes de dormir, e quando está na creche, bebe sempre desse leite. Claro que tenho pena de não ter conseguido amamentar em exclusivo, mas se ela está bem assim, para mim é o mais importante. Na consulta dos 5 meses, cerca de duas semanas depois de começar o leite em fórmula, já tinha ganho quase 500 g.
- Aprendeu a virar e "desvirar": Ou seja, se está de barriga para cima, vira-se de barriga para baixo e vice-versa. Isso já acontece desde que ela completou 4 meses. Geralmente, faz isto no berço, antes de dormir, e ainda se apoia nos cotovelos e levanta a cabeça, quando está de barriga para baixo. Deitá-la com a cabeça na almofada e vê-la adormecer com a cabeça onde deveriam estar os pés já é uma coisa normal.
- Começou a comer papinhas de fruta: Esta semana, quando ela completou 5 meses, introduzi a banana - simplesmente esmaguei a banana e fui dando aos pouquinhos. Ela adorou! Ria-se imenso e dava gritinhos de entusiasmo logo no segundo dia em que comeu banana. Também já comeu maçã; o entusiasmo não foi tanto, mas comeu muito bem. Estou a torcer para que seja assim com os vegetais também. Deixei-a chupar um bocadinho de limão e jurava que ela ia fazer cara feia, mas não fez, e continuou a chupar como se fosse um docinho.
O que ela faz:
- Sorri muito! Até para pessoas desconhecidas... Só que tem de sentir que eu estou perto (ou o pai), e por vezes estranha e chora se ficar no colo de outras pessoas. A exceção é na creche, claro. Geralmente, é uma menina muito sorridente. Inclusivamente, já dá gargalhadas desde os 4 meses, quando brincamos com ela.
- Adora ver "Harry The Bunny". Um desenho animado em inglês, da BabyFirst, que eu por acaso achei boa ideia mostrar-lhe. Desde os 3 meses que ela adora e é o que a consegue entreter por mais tempo. Claro que ela também brinca com outras coisas, mas a realidade é que, por vezes, preciso de fazer trabalhos, e essa é uma alternativa boa para ela ficar entretida enquanto os faço.
- Brinca com os pezinhos. Consegue pô-los na boca, o que é muito engraçado.
- Dorme bem durante a noite. Na maioria das noites, acorda 1 vez para mamar. Em algumas noites, só acorda de manhã. É raro acordar mais de 2 vezes. Só demora e dá trabalho para adormecer na primeira vez (por volta das 20:30). Além disso, costuma acordar a sorrir e a fazer sons engraçados - mesmo que esteja a chorar, assim que me vê a mim ou ao pai, dá logo um sorriso, e quando pego nela põe as mãozinhas na minha cara, como que um carinho (é a coisa mais FOFAAA!).
- Brinca no banho. Adora a hora do banho e chapinha muito na água. Comprei uma almofada de banho para a colocar em cima e ela adora!
- Porta-se relativamente bem quando saímos com ela. Costumamos levá-la quase sempre que saímos, pois não temos ninguém para ficar com ela, mas isso não é um problema, pelo contrário, pois ela porta-se bem. Só não gosta de ficar muito tempo no ovo enquanto comemos, quando é assim ela chora. Mas se for para estar em movimento, até o supermercado serve - e uma coisa MUITO BOA aqui é que qualquer supermercado, mesmo os que não são tão grandes, têm carrinho de compras com assento para bebés (daqueles semelhantes aos que se usam para o carro). Eu digo isto porque já fui a muitos supermercados aqui desta região do Brasil, e em muitos deles eu pensava que não ia encontrar isso, mas encontrei em todos, sem exceção. A Emma adora andar neles e a nossa jornada de compras torna-se muito mais tranquila.
Acho que ela está a desenvolver-se muito bem, é uma menina muito inteligente e simpática, que me dá um orgulho imenso de ser mãe dela. Sei que ainda é bebé, que é simplesmente como muitos bebés da idade dela, mas eu acho-a incrível. Não sei se é por ser tão forte e resistente - que não fica doente, que sai do banho e não quer ficar com a toalha a cobri-la, que bate com a cabeça e não chora - se é por ser tão divertida - que ri por qualquer coisa, que ri mais do que chora - ou se é tudo junto. Mas principalmente é porque é a minha bebezinha, e todos os dias ela fica um pouquinho menos dependente de mim, mas continua a ser a minha baby girl.
Sei que divaguei, é algo que me acontece quando o assunto é a minha bebé, mas espero que tenham gostado!
Para ser bem sincera, é muito cansativo! Tenho quase a certeza que, lá para meio do semestre, vou surtar. Não me interpretem mal, pois sei que muitas mães trabalham e é cansativo, mas além de ter de ir para a universidade, ainda tenho imensos trabalhos para fazer em casa, e um estágio!
Se dormir 6 horas por noite, é uma sorte (esta noite dormi 9 horas SEGUIDAS e senti-me no paraíso). Se conseguir fazer mais de duas tarefas domésticas, cuidar da bebé e ainda me aventurar num trabalhinho académico, é motivo de comemoração! Pois é, como podem perceber, a dificuldade em conciliar estes vários aspetos da minha vida é grande. Mas é impossível? Não. Até agora, posso dizer que me sinto um pouco orgulhosa da minha habilidade multi-tarefa, cuja existência desconhecia até que se tornou a minha única alternativa.
Se é verdade que a minha rotina tem sido "puxada", também não estarei a mentir se disser que existem várias coisas que melhoraram, inclusive na minha forma de agir e lidar com certos assuntos. Vou dar alguns exemplos:
Se dormir 6 horas por noite, é uma sorte (esta noite dormi 9 horas SEGUIDAS e senti-me no paraíso). Se conseguir fazer mais de duas tarefas domésticas, cuidar da bebé e ainda me aventurar num trabalhinho académico, é motivo de comemoração! Pois é, como podem perceber, a dificuldade em conciliar estes vários aspetos da minha vida é grande. Mas é impossível? Não. Até agora, posso dizer que me sinto um pouco orgulhosa da minha habilidade multi-tarefa, cuja existência desconhecia até que se tornou a minha única alternativa.
Se é verdade que a minha rotina tem sido "puxada", também não estarei a mentir se disser que existem várias coisas que melhoraram, inclusive na minha forma de agir e lidar com certos assuntos. Vou dar alguns exemplos:
- Diminuí a procrastinação: se antes eu adiava tudo até onde podia (mas raramente deixava de fazer), hoje eu até consigo fazer as coisas num tempo razoável, e se, por ventura, vejo a necessidade de procrastinar alguma tarefa, é porque realmente já fiz muitas coisas e não tive tempo de fazer essa. (Claro que não deixei de procrastinar, apenas o faço com menos frequência).
- Passei a acordar mais cedo e a ser mais pontual: Antes chegava sempre atrasada às aulas, quase todos os dias. Hoje, acontece muito menos. Eu tenho tempo de me arranjar (maquilho-me todos os dias), amamentar, vestir a bebé, arrumar a mala para a creche (quando vai) e ainda chego antes de quase todos.
- O tempo rende mais: Como sei que tenho muito para fazer, e certas coisas não podem mesmo ser adiadas, vejo a necessidade de fazer o tempo render mais. Antes, eu só me guiava pelo meu tempo, agora o tempo da Emma também precisa ser levado em conta.
- Tenho companhia: Pois é, talvez não saibam disto, mas a minha filha adora ver-me fazer coisas. Seja lavar louça, estender roupa, dobrar roupa ou até comer, ela é uma verdadeira observadora de tudo o que eu faço. Eu explico tudo o que estou a fazer, peço a opinião dela, falo com ela como falaria com um adulto que entende tudo, e ela, de certa forma, "responde", sorrindo ou fazendo sons engraçados. Sorrir, então, ela faz muito! Na semana passada, fiz um bolo de iogurte de morango, e ela esteve sempre sentada na cadeirinha, muito atenta a tudo o que eu fazia, tanto que eu a incluí nos méritos desse bolo (modéstia à parte, ficou ótimo). Pode ser que não mantenhamos um diálogo, mas ela faz muita companhia.
Há muitos outros aspetos positivos, mas dei alguns exemplos para que percebam que é difícil, mas vale a pena. Não vou desistir, embora muitas vezes tenha vontade; mas, se eu fizer isso, estarei a perder uma excelente oportunidade - eu já me dediquei muito a este curso, já fiz trabalhos de madrugada, já fiz projetos e dei monitoria, já fui a eventos, já quase completei as minhas 200 horas de atividades formativas, enfim, não quero que os meus esforços tenham sido em vão.
Apesar de tudo parecer tão difícil, não me arrependo de nada, até me sinto orgulhosa pois acredito que estou a lidar mais ou menos bem com esta nova vida, e tenho sempre uma menina linda para sorrir para mim e me animar todos os dias!








