Por volta da 01:00 da manhã do dia 1 de Novembro, já com quase 41 semanas, fui para a maternidade. Não por ter contrações regulares ou rebentarem as águas, mas porque achei que estava a perder líquido amniótico. Como todo o cuidado é pouco, lá fui eu. Acontece que, ao chegar lá, a enfermeira examinou-me e fez o registo (para controlar os batimentos cardíacos da bebé) e as suspeitas de perda de líquido não se confirmaram e estava tudo bem com a bebé; porém, eu estava quase com 41 semanas e já tinha 3 cm de dilatação, logo já fiquei internada nessa noite. De qualquer forma, o parto seria induzido no dia 2, então não fez muita diferença. Fiquei sozinha num quarto durante a noite, mas dormi mal (deveria ter tentado dormir melhor, porque ao segundo dia já estava exausta). Quando cheguei ao quarto, uma enfermeira pediu-me a primeira roupinha para ficar separada, e foi aí que me "caiu a ficha": já não saio daqui sem a minha filha cá fora.
De manhã, por volta das 9h, fizeram mais um registo e, depois de tomar o pequeno almoço, fui examinada: ainda tinha 3 cm. Então, a médica fez o descolamento da membrana, que doeu mais do que quando a obstetra me fez na consulta, na semana anterior. Ainda assim, garanto que, de todas as vezes que me fizeram o tal "toque", nunca doeu assim tanto como dizem. Claro que dói, mas não é nada insuportável. Além disso, também ainda não tinha contrações regulares e não sei mesmo como tinha toda essa dilatação.
Como eu tinha Strep B positivo (uma bactéria que pode afetar o bebé na hora do parto e que não é assim tão incomum), precisei de tomar antibiótico. Também me mandaram caminhar pelo corredor para acelerar a dilatação, o que eu fiz. A minha mãe andou comigo de um lado para o outro, foi um grande apoio. Depois de ter andado bastante, e parecia que nenhuma grávida andava tanto quanto eu, comecei a ter umas contrações mais fortes e de 10 em 10 minutos, sendo que o intervalo de tempo diminuiu para 5 minutos. Doía, mas era apenas como uma cólica menstrual um pouco mais forte, e ajudava bastante respirar fundo e calmamente: inspira pelo nariz, expira pela boca (não tive aulas de preparação para o parto, então esta era a única técnica que conhecia). Entretanto, havia uma grávida que andava pelo corredor e que ainda não tinha dilatação, mas já chorava de dor, e eu só pensava quando chegaria a minha vez. Era muito pior a ansiedade e o medo do que propriamente a dor.
A cama ao lado da minha já estava ocupada por outra grávida, que também ainda não tinha dor mas estava a ser induzida com comprimidos para ter contrações. Pelo menos, já tinha alguém para conversar no pouco tempo em que não andava pelo corredor. Quando descansava, as contrações diminuíam.
Mais tarde, fui novamente examinada, e já estava com 4 cm (houve controvérsias, mas estava entre os 3 e os 4). A enfermeira e a obstetra comentaram que eu era a grávida com mais dilatação e também a que se queixava menos. Sempre que me perguntavam se estava com muitas dores, eu dizia que estava com contrações regulares, mas que eram suportáveis e a maior parte do tempo estava perfeitamente normal. Como referi, o que me incomodava mais era o medo - injustificado - do que viria a seguir.
Não demorou muito até ir para a sala de partos, deviam ser 18:30. Estava às voltas pelo corredor desde as 10:00, com apenas pequenas pausas para descansar, comer ou ir à casa de banho. Mas, finalmente, chegou a hora, e a ansiedade aumentou. Era estranho e, ao mesmo tempo, um alívio ter chegado até ali sem ter tantas dores como pensei que teria.
Na sala de partos, iniciaram a oxitocina, e isso certamente aumenta as contrações, pelo que cheguei a senti-las mais regulares e um pouco mais fortes, mas ainda nada insuportável. A enfermeira pediu-me para classificar a dor de 0 a 10, e eu achei que um 6 seria adequado. Pouco depois, chegou o anestesista, para administrar a epidural, o que também me causava ansiedade só de pensar que teria uma agulha espetada na coluna. (Já devem ter percebido que sou uma pessoa muito ansiosa). Mais uma vez, não doeu muito e eliminou completamente a dor, não tive mais dores até ao fim do trabalho de parto, mas continuei a sentir as contrações como uma espécie de pressão. Fiquei muito mais relaxada depois disso, acho que até então foi o momento em que relaxei mais.
Quando voltei a ser examinada, já tinha 6 cm, deviam ter passado uma ou duas horas. Por volta das 21:00, cerca de 3 horas depois de entrar na sala de partos, já tinha a dilatação completa! Entretanto, os batimentos da Emma deixaram de se ouvir, e essa foi a pior parte do dia. A enfermeira disse que ela tinha que nascer depressa e rapidamente apareceu toda a equipa que ia fazer o parto. De tão preocupada que estava, fui arranjar forças não sei onde, mas sei que até me faltou o ar de tanto fazer força. Felizmente, tudo correu bem.
Às 21:42 do dia 1 de Novembro, nasceu a minha princesa e esse foi o dia mais maravilhoso. Ela foi colocada logo em cima de mim, algo que eu queria muito, e depois foi para a outra sala para ser vestida e pesada.
Estive em trabalho de parto cerca de 5 horas. Eu levei três pontos, mas ainda estava anestesiada e sem dor, A Emma voltou para junto de mim para eu a amamentar, ainda na sala de partos. Logo a seguir, fomos para o quarto e eu não conseguia parar de olhar para ela.
Este dia foi lindo e o parto muito mais tranquilo do que eu imaginei. Desejo a todas as grávidas que lerem isto um parto tão bom quanto o meu. Foi uma experiência única, onde também aprendi mais sobre mim e percebi que lido melhor com a dor física do que com a emocional. O pós-parto foi, e tem sido, mais complicado, mas isso eu deixo para outro post (não se assustem, tem tanto de complicado quanto de maravilhoso).




