Emma, by Jane Austen

quarta-feira, fevereiro 22, 2017


Iniciei a leitura deste livro pouco tempo antes de a minha bebé nascer, o que implicou numa pausa grande na leitura. Não parei de ler totalmente, mas lia muito poucas páginas por dia, o que levou à demora para concluir a leitura. Mais recentemente, retomei-a, e já fazia parte da rotina ler alguns capítulos antes de dormir. Este foi um livro daqueles que me fazia querer terminar rapidamente e, ao mesmo tempo, nunca terminar; isto porque ansiava conhecer o final, mas não queria que houvesse um final. Parece-vos contraditório? É apenas sinal de que a história estava interessante o suficiente para eu querer saber mais, mesmo que não existisse mais.



Será difícil escrever sobre este livro sem dar alguns spoilers... Eu própria me deparei com spoilers daqueles super importantes, enquanto procurava opiniões sobre o livro. Mas tentarei revelar o menos possível da história. Para começar, é um livro com aproximadamente 400 páginas (não sei o número exato porque li em formato e-book), e li-o no inglês original, o que, além da pausa que fiz na leitura, levou a que eu demorasse bastante a concluir a história. Apesar disso, considerei-a muito interessante, pois Emma é uma personagem bastante peculiar: não costuma cair no gosto dos leitores, pelo menos não imediatamente. Eu própria, devo admitir, demorei algum tempo para gostar dela. Emma não mede as consequências de interferir na vida dos outros, é casamenteira - e acha-se boa nisso, algo snob e não percebe as intenções das pessoas que a rodeiam. No decorrer da história, senti que a personalidade dela não se resumia a essas características e fui, de certa forma, gostando mais dessa personagem. Ela faz Harriet sofrer, mas a intenção dela é exatamente o oposto. Revela ter um bom coração em várias das suas atitudes.



Quanto a Jane Fairfax, apesar de Emma não ser propriamente fã dela, eu sou. Uma mulher sensata, discreta e talentosa, e não estarei longe da verdade se disser que é a minha personagem feminina favorita - sim, mais ainda do que a protagonista. Durante todo o livro, desejei que ela tivesse um final feliz - e merece muito, pois quem mais teria paciência para aturar Mrs Elton?

Por falar nela, penso que ninguém que tenha lido o livro desenvolveu afeição por Mrs. Elton, eu incluída, e ainda acrescento: é a pior personagem! Já o seu esposo não fica nada atrás - talvez seja ainda mais detestável, pelas suas atitudes que apenas revelam ganância e falsidade.

A personagem de Frank Churchill não aparece logo no início da história, mas acredito que veio torná-la muito mais interessante. O mistério em volta do filho de Mr Weston, que se relaciona com outra personagem em segredo, aguçou a minha curiosidade e ampliou a minha vontade de ler mais e mais. Não reparei que ele guardava um segredo até à cena em que ele faz um jogo de palavras, que torna tudo muito suspeito, e quando menciona algo sobre uma carta que Mrs Weston jura não ter enviado. Foi uma grande revelação quando o segredo foi descoberto e eu garanto que não tive qualquer suspeita do que seria, a não ser pela personagem com o qual estava relacionado.



As atitudes de Mr Knightley foram revelando, no decorrer da trama, o seu bom carácter, a sua generosidade e bom senso. Se existe alguém a quem deve ser dado o mérito pela evolução positiva de Emma, é ele! Quem melhor para lhe mostrar que o que importa são os sentimentos, e não as posses? Já para não mencionar a atitude dele para com Harriet, durante o baile, que foi de louvar. É das minhas personagens prediletas, senão O predileto.

Por fim, e para não me alongar muito mais, gostei da evolução da história, achei que a autora foi bem sensata ao dividi-la em três volumes (e vocês certamente me darão razão se lerem este livro). Jane Austen afirmou que teve a intenção de criar uma personagem que ninguém, além dela, iria gostar (referindo-se a Emma). Creio que muitos leitores a farão perceber que os seus esforços foram em vão. É uma história que cativa, e da qual é possível retirar lições de vida valiosas, entre as quais a importância dos sentimentos ao invés dos bens materiais e que o verdadeiro amor pode estar mesmo à nossa frente, às vezes em forma de amigo e conselheiro, enquanto estamos demasiado ocupados dando prioridade a coisas irrelevantes.

(as fotos são das personagens conforme aparecem no filme adaptado do livro, de 1996; retiradas do google e editadas por mim)

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5 comentários

  1. Nunca li o livro, mas vi o filme e adorei :)

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  2. É uma história que não conheço, mas sobre a qual me conseguiste deixar curiosa! :) Beijinhos
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  3. Não conhecia o livro mas fiquei super interessada, beijinho*
    http://omundodajesse.blogspot.pt/

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  4. Gosto imenso do livro. E também leio estas obras no inglês original, acho que acrescenta beleza!

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  5. Não é o meu tipo de livro, mas gostei bastante de ler a tua opinião :)
    Beijinho*

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